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Entrevista coletiva: O futuro da TV Digital no Brasil (Parte 3)

Por Agente Digital AOC   |   8 de junho de 2010   |  2 Comentários

E chegou a hora do gran finale da nossa entrevista coletiva, completamos assim um total de 24 perguntas respondidas por José Salustiano Fagundes, representante do Fórum SBTVD.

Aproveitamos, mais uma vez, para agradecer a todos que participaram enviando suas dúvidas sobre TV Digital e também ao Sr. Salustiano, nosso entrevistado.

Você também pode conferir a 1ª parte e a 2ª parte da nossa entrevista.

Fique à vontade!
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15. O Governo, juntamente com o Fórum, tem previsão de quando teremos uma versão comercial do Ginga ou teremos que esperar várias versões serem desenvolvidas pelos fabricantes? Questiono isso por que a “seleção” natural feita pelo mercado pode demorar muito, isso sem cogitar as conseqüências para com os telespectadores (que não são usuários, e não vão entender versões Beta, travamentos e outros problemas).
A disponibilização de versões comerciais do Ginga no mercado dependem do resultado de iniciativas que estão sendo feitas pelas indústrias de software e de recepção.
Todo e qualquer receptor (seja ele de recepção fixa, móvel ou portátil) que chegar ao mercado com o middleware Ginga embarcado – que passarão a ser identificados pelo selo DTVi – devem estar 100% aderentes a Norma da ABNT (NBR 15.606-1:4).
Como só recentemente a Norma do Ginga foi fechada, as empresas que estão envolvidas com esse trabalho passaram a dar um ritmo maior ao processo de implementação do middleware.
O Fórum está trabalhando atualmente na especificação de uma suíte de testes para o Ginga. Enquanto a mesma não fica pronta, a garantia de conformidade está sendo assegurada diretamente pelas empresas responsáveis pelos produtos.
Existe também uma iniciativa em curso que é apoiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e que reúne diversas instituições de pesquisas brasileiras para a criação de uma implementação de referência do Ginga que será open source.


16. Está claro que os fabricantes estão preferindo desenvolver Tv’s com conversores embutidos (é mais barato ), logo grande parte a população brasileira não terá acesso a TVD. O Governo argentino distribuiu STB a população de Baixa Renda (dizem que até com uma versão do Ginga) , e que este conversor (de preços populares) seria importado ao Brasil com valores inferiores a R$ 100,00. O Que o Fórum e o Governo pretendem fazer diante deste quadro? Existe a possibilidade de importação do STB argentino?
As estratégias para a popularização de conversores de TV Digital vêm sendo conduzidas pelo Governo Federal. O Fórum, embora empenhado no fomento e na difusão da TV Digital, não atua diretamente nessa questão, fazendo apenas recomendações quando necessário.
A idéia de conceder subsídios para fabricantes que embarcarem middleware em seus equipamentos já foi colocada em pauta em algumas ocasiões por representantes do Fórum.
Com relação a Argentina, acredito que a experiência de produção de set top boxes ainda seja muito incipiente para servir de referência para o Brasil.


17. Quais aparelhos celulares com receptor digital à venda no mercado brasileiro atualmente suportam (ou podem vir a suportar com alguma atualização) aplicações interativas?
Os aparelhos celulares que recebem sinal 1-Seg e que estão atualmente disponíveis no mercado brasileiro não foram feitos para suportar o middleware Ginga (interatividade).
A boa notícia é que pelo menos dois fabricantes já anunciaram o lançamento no próximo semestre de modelos de celulares que já virão com o Ginga e estarão prontos para a interatividade.


18. Por que alguns aparelhos de TV com conversor digital demoram tanto para mudar de canal? Já notei que alguns aparelhos são mais rápidos do que outros. É uma questão de sintonizador mais eficiente? Isso encarece muito a produção do aparelho?
Todos os receptores de sinal de digital em uso no país precisam estar aderentes as normas estabelecidas para o ISDB-T. É importante verificar se eles possuem o selo DTV antes da compra.
Por outro lado, é possível que, apesar de estarem aderentes às normas, o desempenho de alguns receptores possa apresentar variações dependendo dos componentes de hardware utilizados em seu projeto.
O que se recomenda é que se faça testes na loja antes da compra e que se consulte o fabricante em caso de dúvidas sobre o desempenho.


19. Na sua opinião, ainda existe futuro para os set top box externos para recepção do sinal digital, ou em pouco tempo todos os aparelhos terão o conversor embutido?
Pesquisa divulgada recentemente pela NextTV Latam, demonstrou que a utilização de set top box externo representará 48% dos acessos ao sistema digital terrestre na América Latina em um prazo de cinco anos. Ainda de acordo com a pesquisa, as TVs com conversores embutidos representarão 47%dos acessos.
Apesar da dificuldade em se encontrar modelos de set top box atualmente no mercado brasileiro, acredito que surgirão alternativas para suprir essas demandas.
Acho que os dois modelos de receptores coexistirão, pois atendem a necessidades de públicos diferentes e embora ambos tenham a mesma função (receber o sinal de TV Digital) possuem valores agregados bem distintos.


20. Para os desenvolvedores de software independentes, qual a chance de terem suas aplicações interativas sendo usadas em grande escala? É possível ser criado um modelo como a Apple Store para distribuirmos ou comercializarmos nossas aplicações? Ou apenas as emissoras distribuirão programas interativos?
Teoricamente é possível, mas para que isso ocorra o mercado vai precisar alcançar um nível de maturidade maior.
A distribuição de programas interativos não é exclusiva das emissoras, já que existem outros canais (como, por exemplo, a internet) que pode ser utilizada com esse objetivo.
Porém temos que considerar que um dos pontos fortes do uso da interatividade na TV Digital é a sua utilização integrada aos conteúdos de vídeos que fazem parte da programação das emissoras, tornando a experiência mais atrativa para os telespectadores.


21. Quando as emissoras poderão utilizar a multi-programação, já que esse foi um dos fatores para a escolha do sistema japonês?
Existem aspectos legais e comerciais relacionados a esse assunto que ainda não foram equacionados.
A Norma Geral para Execução dos Serviços de Televisão Pública Digital (nº 01/2009), publicada pelo Ministério das Comunicações, proibiu as redes comerciais e emissoras públicas estaduais de utilizarem a multiprogramação na TV digital.
Da parte de alguns radiodifusores, existe a preocupação de que a multiprogramação possa pulverizar as receitas publicitárias que sustenta as emissoras comercias.
O primeiro problema passa por uma mudança de marco regulatório, o segundo pela busca de novos modelos de comercialização por parte das emissoras.
Atualmente apenas os canais consignados a órgãos e entidades integrantes dos poderes da União (TV Brasil, TV Senado, TV Câmara e TV Justiça) podem utilizar a multiporgramação.
Uma exceção a essa regra foi obtida pela TV Cultura de São Paulo que no ano passado conseguiu autorização do Ministério das Comunicações para usar transmissões simultâneas em caráter experimental científico.


22. Sobre direitos autorais, em um futuro próximo as emissoras poderão cobrar pela gravação de seus programas já que existe no mercado alguns televisores que possuem esse recurso de gravação?
As questões relativas ao DRM (Digital Right Management) são tratadas na Norma ABNT NBR 15605-1. A disponibilidade de gravação de um conteúdo digital transmitido é feito por um descritor de controle de cópia digital e de disponibilidade de conteúdo.
Em termos práticos caberá a quem transmite o conteúdo sinalizar essa disponibilidade e a quantidade de cópias (para fins não comerciais) que podem ser feitas (como no caso de conteúdos em alta definição, que somente poderá ser copiado uma vez).


23. O modelo broadband é uma ameaça para o Ginga e o modelo de negócio que se pretende com o SBTVD?
Em uma das cenas do filme “V de Vendetta” (no Brasil “V de Vingança”) o personagem principal ao ser questionado sobre o sucesso de uma das suas ações responde que “não há certezas, apenas oportunidades”.
O uso de Broadband TV faz parte do cenário de convergência digital no qual a TV também está inserida. Trata-se de uma tendência que não está passando despercebida pelos produtores de conteúdos. Muitos deles já estabeleceram as suas estratégias para ter nessa tecnologia mais um canal para entrega de conteúdos.
No caso específico do Ginga vale lembrar que o mesmo é reconhecido pela União internacional de Telecomunicações (ITU) como padrão de middleware para aplicações em IPTV, podendo ser integrado a plataformas de Broadband TV.
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José Salustiano Fagundes é graduado em Sistemas de Processamento de Dados e tem mais de 20 anos de atuação na área de tecnologia da informação.
É Diretor da HIRIX Engenharia de Software e CEO da HXD Interactive Television, empresa brasileira criada com foco no desenvolvimento de conteúdos para televisão interativa.
Integra o Conselho Deliberativo do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Terrestre e participa de atividades para a promoção nacional e internacional do padrão nipo-brasileiro.


Até a próxima!
Agente Digital AOC

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Entrevista coletiva: O futuro da TV Digital no Brasil (Parte 2)

Por Agente Digital AOC   |   1 de junho de 2010   |  3 Comentários

Olá pessoal,
Gostaram da primeira parte da entrevista com o José Salustiano Fagundes? Muito esclarecedoras as respostas, né?
Hoje vamos colocar a 2ª parte da entrevista, depois só vai faltar mais uma.
Quem quiser reler a 1ª parte, basta clicar aqui.
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